O telefone tocou. Era Ricardo.
Em segundos, Lucas voltou para a cadeira, retomando a postura torta e o olhar vazio.
Atendi tentando controlar a voz. Ricardo perguntou sobre janelas, cheiros, gás. Cada pergunta parecia um teste. Respondi com cautela.
Quando desliguei, desabei.
Lucas apontou para um canto da sala.
— Tem uma câmera ali. Ele instalou semana passada. Disse que era sensor, mas não é. Só pega a sala. O corredor fica fora do ângulo.
— Ele está nos observando agora.
A encenação
Uma mensagem chegou: ele queria que eu acendesse a luz para ver Lucas.
Lucas foi direto:
— Me bata. E finja que perdeu o controle.
Eu obedeci. Encenamos uma cena caótica diante da câmera. Eu fora de si, ele chorando.
Ricardo respondeu com falsa preocupação e disse para eu descansar e não abrir a porta.
Ele esperava que morrêssemos aos poucos.
A prova definitiva
No ponto cego da câmera, Lucas pegou um tablet escondido. Havia semanas que acessava silenciosamente os dados do pai. Naquela manhã, ao confirmar o plano, enviou tudo em tempo real.
As mensagens com Mariana estavam lá: o gás, a vela, o seguro, a falsa viagem.
E uma imagem final: um teste de gravidez positivo.
Algo em mim se partiu. E algo novo surgiu.
— Grave tudo — eu disse. — Não vamos fugir. Vamos sobreviver e mostrar a verdade.
O retorno inesperado
Lucas rastreou o GPS do carro. O sinal mudou de direção.
— Ele nunca viajou. Era só uma desculpa para ganhar tempo.
Em vinte minutos estaria de volta. Não para conferir. Mas para terminar o que começou.
Preparar-se para sobreviver
Lucas revelou um esconderijo: ferramentas, spray de pimenta caseiro e um taser que havia pegado meses antes.
— Se ele chegar perto, não pense duas vezes.