— Você estava tentando me enganar de novo? — perguntei suavemente.
— Eu já te disse — interrompeu Jasper. — Ele simplesmente escorregou. Eu vi acontecer.
Howard olhou para o pai e depois para o gesso.
Algo estava errado. Eu sentia isso na pele. Mas fiquei em silêncio por causa dele.
Mais tarde naquela noite, uma enfermeira-chefe veio verificar os sinais vitais de Howard. Calma. Eficiente. Atenciosa.
Quando Jasper tentou ajeitar o cobertor de Howard, Howard recuou.
Era pequeno, quase invisível, mas a enfermeira viu. E eu também.
Ao sair, ela me tocou brevemente e colocou algo na minha mão.
Eu o desdobrei quando Jasper desviou o olhar.
ELE ESTÁ MENTINDO. VEJA AS IMAGENS ÀS 3 DA MANHÃ.
Minha boca ficou seca.
Eu a encontrei no posto de enfermagem.
— O que isso significa? — sussurrei.
Ela manteve a voz neutra. “Todas as salas de aula infantis estão equipadas com câmeras de vigilância. Dirija-se à segurança às 14h55. Diga que eu a enviei. Assista ao canal 12.”
Então ela foi embora.
Às 2h58, eu estava parado na sala de segurança, encarando uma parede cheia de telas.
O guarda dirigiu até o quarto de Howard.
Ele estava dormindo.
A cadeira ao lado da cama dele – a cadeira em que Jasper alegava ter se sentado – estava vazia.