Jason se levantou. Ele era mais alto e mais forte do que eu, e sabia disso. "Não mais."
“Devolva.”
"Nee."
Papai também se levantou e cruzou os braços. "Vocês moram aqui há quase dois anos. Contas, comida, água e luz. Sua mãe e eu decidimos que isso restabelece o equilíbrio."
'Criar equilíbrio?' Minha voz falhou. 'Você nunca me cobrou aluguel.'
A mãe deu de ombros. "Isso não deveria ter sido necessário."
Olhei para os dois e não vi vergonha alguma. Nem mesmo desconforto. Apenas alívio – alívio por terem conseguido o que queriam e não precisarem mais fingir que eu importava.
Jason pegou a mala, abriu a porta da frente e a empurrou para a varanda. O ar frio de março invadiu o ambiente.
'Pode ir agora', disse ele. 'E não volte rastejando.'
Meus pais riram dele pelas costas.
O que eles não sabiam — o que nenhum deles entendia — era que o dinheiro que Jason havia sacado não era realmente meu para usar livremente. A maior parte daquele dinheiro havia sido depositada lá como parte de um acordo judicial após a morte da minha tia, e cada transação era monitorada.
E quando Jason me expulsou, o departamento de fraudes do banco já tinha começado a ligar.
Passei aquela primeira noite no meu carro, atrás de um supermercado aberto 24 horas, estacionado sob uma luz intermitente, com a minha mala no banco de trás, e o meu coração batia tão forte que pensei que ia sentir náuseas.
Às 23h17, meu telefone tocou novamente, desta vez de um número desconhecido – a terceira vez. Finalmente atendi.
— A senhora Claire Bennett? — perguntou uma mulher.
"Sim."
"Aqui é Natalie, do Departamento de Prevenção de Fraudes do Fifth River Bank. Detectamos saques incomuns e tentamos entrar em contato com você diversas vezes. Você autorizou saques em dinheiro totalizando vinte e nove mil dólares e uma transferência de oito mil e quatrocentos dólares hoje?"
— Não — respondi imediatamente. — Meu irmão roubou meu cartão de débito.
O tom dela tornou-se mais ríspido. "Você tem o cartão em sua posse agora?"
"Sim."
"Certo. Estamos bloqueando a conta. Dado o volume e o padrão dos saques, o caso foi sinalizado para investigação interna. Também preciso perguntar: você sabe de onde vem o dinheiro na conta poupança?"
Fechei os olhos.
— Sim — respondi. — Faz parte de um pagamento limitado relacionado ao acordo firmado após a morte da minha tia.
Houve um breve silêncio.