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Minha esposa manteve nosso sótão trancado por mais de 52 anos – quando descobri o motivo, fiquei profundamente abalado.

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No instante em que empurrei aquela porta, senti o cheiro mofado e denso lá dentro. Cheirava a livros antigos que haviam ficado trancados por muito tempo. Mas havia algo mais misturado, algo metálico que me deu ânsia de vômito.

Liguei a lanterna e entrei.

Uma lanterna | Fonte: Pexels

Uma lanterna | Fonte: Pexels

À primeira vista, o quarto parecia bastante normal. Caixas de papelão empilhadas contra as paredes, lençóis velhos pendurados sobre o que pareciam ser móveis, exatamente como Martha sempre dizia. Mas o feixe de luz da minha lanterna insistia em ser atraído para o canto mais distante do quarto.

Ali, solitário como se estivesse à espera de alguém, estava um velho baú de carvalho. De aspecto pesado, com cantos de latão esverdeados pelo tempo. E trancado com outro cadeado, este ainda maior do que o da porta.

Fiquei ali parado por um longo momento, encarando aquele tronco e ouvindo meu próprio batimento cardíaco ecoar no silêncio.

Um baú antigo | Fonte: Pexels

Um baú antigo | Fonte: Pexels

Na manhã seguinte, dirigi até a casa de repouso para minha visita de rotina.

Martha estava fazendo fisioterapia, se esforçando para recuperar as forças, e parecia estar de bom humor. Decidi testar o terreno e ver como ela reagiria.

"Martha, querida", eu disse, sentando-me na cadeira ao lado da cama dela. "Tenho ouvido uns arranhões à noite. Pensei que talvez tivéssemos bichos no sótão. O que tem naquele baú velho que você guarda lá em cima?"

A mudança nela foi imediata e aterradora. Toda a cor sumiu de seu rosto num instante. Suas mãos começaram a tremer tanto que ela deixou cair o copo d'água que segurava, e ele se estilhaçou no chão.

Um copo quebrado | Fonte: Pexels

Um copo quebrado | Fonte: Pexels

"Você não abriu, abriu?" ela sussurrou, com os olhos arregalados em um olhar que parecia de puro pânico. "Gerry, me diga que você não abriu aquele baú!"

Eu ainda não tinha aberto, mas o medo na voz dela não era normal. Não se tratava de móveis velhos ou roupas empoeiradas. Era algo muito maior, muito mais importante do que isso.

Naquela noite, não consegui pregar o olho. Fiquei me revirando na cama, pensando na expressão no rosto de Martha, no jeito que a voz dela falhou quando perguntou sobre aquele baú. A curiosidade me consumia por dentro, exigindo respostas que eu não tinha certeza se estava pronto para ouvir.

A janela de uma casa à noite | Fonte: Pexels

A janela de uma casa à noite | Fonte: Pexels

Por volta da meia-noite, desisti completamente de dormir. Desci até a garagem, encontrei meu velho alicate de corte e subi aquelas escadas mais uma vez.

A fechadura daquele baú quebrou mais facilmente do que eu esperava. Minhas mãos tremiam enquanto eu levantava a pesada tampa de madeira, e o que encontrei lá dentro fez minhas pernas fraquejarem.

O baú estava cheio de cartas. Centenas e centenas delas, todas amarradas com fitas desbotadas e organizadas por data. As mais antigas eram de 1966, o mesmo ano em que Martha e eu nos casamos. As mais recentes eram do final da década de 1970. Mas não eram cartas minhas nem de ninguém que eu reconhecesse.

Todas as cartas eram endereçadas a Martha e assinadas por alguém chamado Daniel.

Um envelope | Fonte: Pexels

Um envelope | Fonte: Pexels

Com as mãos trêmulas, peguei uma das cartas mais antigas e a li à luz de uma lanterna. Começava com "Minha querida Martha" e falava de como sentia muita falta dela, de como contava os dias para poder voltar para casa.

Mas foi o final que fez meu coração disparar. Cada carta terminava da mesma forma: "Irei buscar você e nosso filho quando chegar a hora certa. Com todo o meu amor, Daniel."

Nosso filho? Que filho?

Senti como se alguém tivesse me dado um soco no peito. Sentei-me bruscamente em um caixote velho e comecei a ler mais cartas.

Uma carta escrita à mão | Fonte: Pexels

Uma carta escrita à mão | Fonte: Pexels

As cartas pintaram um quadro que eu jamais poderia ter imaginado. Esse tal de Daniel vinha escrevendo para Martha sobre uma criança, o filho deles, havia mais de uma década. Ele escrevia sobre observar à distância, sobre ver o "pequeno James" crescer, sobre o orgulho que sentia do menino.

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