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Minha filha de 13 anos montou uma pequena mesa no quintal para vender os brinquedos que ela fazia de crochê – então um homem de moto parou e disse: 'Estou procurando sua mãe há 10 anos'.

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Dei um beijo na cabeça de Ava, com as bochechas úmidas, e entrei para descansar. Ouvi sua voz, suave e sincera, entrando pela janela. "Obrigada, senhora. Fiz este porque a mamãe gosta de tartarugas."

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O céu estava riscado de rosa e dourado quando o som mudou, um estrondo grave que me fez sentar na beira da cama.

Por trás da cortina, vi uma motocicleta parar, o motociclista vestindo uma jaqueta de couro surrada e um capacete arranhado.

Ele desligou o motor e examinou nosso quintal.

Calcei meus sapatos, meio assustada, meio curiosa. Assim que pisei na varanda, a voz de Ava soou, firme, mas um pouco trêmula. "Oi, senhor. Quer comprar um brinquedo? Eu mesma os fiz. São para o remédio da minha mãe."

Ele desligou o motor e examinou nosso quintal.

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O homem se agachou e pegou um coelho de crochê. Ele o virou na mão. "Você que fez ?"

Ava assentiu com a cabeça. "Minha avó me ensinou. Mamãe diz que eu fiquei muito boa nisso."

Ele sorriu, colocando o coelho de volta no chão. "Eles são incríveis. Seu pai teria adorado. Sabe, uma vez ele me fez ajudá-lo a construir uma casinha de passarinho, e ficou tão torta que os pássaros nem olharam para ela."

Os olhos de Ava se arregalaram. "Você conhecia meu pai?"

Ele assentiu, permanecendo em silêncio por um momento. "Sim, eu fiz. Ava, faz muito tempo que estou tentando encontrar sua mãe."

"Ava, querida", comecei. "Por que você não vai pegar um copo d'água e ver se o jantar está pronto para mim?" Tentei manter a voz calma.

"Você conhecia meu pai?"

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Minha filha olhou entre nós, percebendo algo diferente. "Tudo bem, mãe. Você vai ficar bem?"

"Vou ficar bem, querida. Só entre um minutinho."

Quando ela saiu, o homem se levantou e tirou o capacete.

Prendi a respiração. Aquele rosto, mais velho agora, com traços ásperos, mas inconfundível.

"Marcus?"

Ele assentiu uma vez. "Sim, Brooklyn. Sou eu."

Dei um passo para trás antes que pudesse me conter. "Não. Não, você não tem o direito de aparecer aqui."

"Eu vou ficar bem, querida."

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Uma dor aguda estampou-se em seu rosto. "Eu sei como isso parece."

"Você...?" Minha voz se elevou. "David morreu, e então você desapareceu. Seus pais disseram que você foi embora. Disseram que você não queria ter nada a ver comigo ou com Ava."

Seu corpo inteiro ficou imóvel. "Isso é mentira."

Eu fiquei olhando para ele.

"Escrevi para você", disse ele. "Liguei. Passei aí algumas vezes. Me disseram que você tinha se mudado. Disseram que você não me queria por perto."

"Isso é mentira."

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Uma onda de frio me percorreu. "Disseram-me que você foi embora."

Marcus engoliu em seco. "Eu não fui embora, Brooklyn. Eu fui rejeitado."

Por um instante, nenhum de nós disse nada. A sombra de Ava se moveu atrás da janela.

Então Marcus disse baixinho: "E essa não foi a pior coisa que eles fizeram."

Minha boca secou. "O que você quer dizer?"

Ele olhou para a casa e depois para mim. "Deixe-me entrar. Você precisa ouvir isso sentada."

"Eu não fui embora, Brooklyn."

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