Ele olhou por cima do meu ombro a princípio e examinou a rua com o olhar.
— Mãe — disse ele. — Combinamos quatro. São só 3h45.
Eu ri porque pensei que ele estivesse brincando.
'Eu sei, querida. O Uber foi rápido. Eu só não conseguia esperar para ver todo mundo.'
Ele não sorriu.
'Linda ainda está ocupada com os preparativos', disse ele. 'A casa ainda não está pronta. Você pode esperar um instante lá fora? Só quinze minutos.'
Pisquei. "Lá fora?"
Leva apenas 15 minutos.
Ouvi música. Crianças correndo. Alguém rindo.
Eu disse: "Nick, acabei de chegar do aeroporto."
“Eu sei. Só queremos que tudo termine.”
Então ele me lançou aquele olhar rápido e distraído que as pessoas usam quando querem que você coopere sem fazer muitas perguntas.
“Por favor, mãe. Só mais quinze minutos.”
E então ele fechou a porta.
Eu fiquei ali parado, olhando fixamente para aquilo.
Então esperei.
Cinco minutos.
Então dez.
Então quinze.
Ninguém saiu.
Sentei-me na minha mala porque minhas pernas começaram a doer. Ouvi pezinhos correndo lá dentro. Risadas. A música estava mais alta agora.
Olhei para a porta e percebi algo doloroso.
Eu não cheguei na hora.
Não foi nenhuma surpresa.
Eu era simplesmente menos importante do que o que estava acontecendo lá dentro.
Peguei meu celular e abri a lista de contatos dele.
Então bloqueei a tela.
Levantei-me, peguei minha mala e saí caminhando pela entrada da garagem.
Ninguém me impediu.
Chamei um táxi da esquina.
O motorista perguntou: "Para onde?"
Eu disse: "É barato em todo lugar."
Ele me levou a um motel a dez minutos de distância.
Sentei-me ali com meu vestido azul, a sacola de presentes na cadeira ao lado, e me senti mais exausta do que em anos.
Eu não liguei meu celular naquela noite.
Não quando lavei o rosto.
Não, se eu estiver deitada ainda com o vestido.
Não quando acordei às três da manhã com o coração disparado.
Continue a leitura na próxima página.