Costurei um vestido com as camisas do meu pai para o baile de formatura em sua homenagem – meus colegas riram até o diretor pegar o microfone e a sala ficar em silêncio.
Ele se endireitava no instante em que me via e dizia: "Não me olhe assim, querida. Estou bem."
Mas ele não estava bem, e nós dois sabíamos disso.
No ano passado, meu pai foi diagnosticado com câncer.
Uma coisa que meu pai sempre repetia, sentado à mesa da cozinha depois do trabalho, era: "Só preciso chegar ao baile de formatura. E depois, à sua formatura. Quero ver você se arrumar toda e sair por aquela porta como se o mundo fosse seu, princesa."
"Você ainda vai ver muito mais do que isso, pai", eu sempre lhe dizia.
Poucos meses antes do baile de formatura, ele perdeu a batalha contra o câncer e faleceu antes que eu pudesse chegar ao hospital.
Descobri enquanto estava parada no corredor da escola com a mochila nas costas.
Lembro-me de ter reparado que o linóleo era exatamente igual ao que o meu pai usava para esfregar, e depois disso não me lembrei de muita coisa durante algum tempo.
Poucos meses antes do baile de formatura, ele perdeu a batalha contra o câncer.
***
Na semana seguinte ao funeral, fui morar com minha tia. O quarto de hóspedes cheirava a cedro e amaciante de roupas, e não tinha nada a ver com casa.
A época dos bailes de formatura chegou de repente, monopolizando todas as conversas. As meninas da escola comparavam vestidos de grife e compartilhavam capturas de tela de coisas que custavam mais do que um mês de salário do pai.
Eu me sentia completamente alheia a tudo aquilo. O baile de formatura deveria ser o nosso momento: eu saindo pela porta enquanto meu pai tirava fotos demais.
Sem ele, eu não sabia o que era.
O baile de formatura era para ser o nosso momento.
Certa noite, sentei-me com a caixa contendo as coisas dele que o hospital havia enviado para casa: sua carteira, o relógio com o cristal rachado e, no fundo, dobradas com o cuidado que ele sempre tinha para com tudo, suas camisas de trabalho.
Azuis, cinzentas e aquela verde desbotada de que me lembrava de anos atrás. Costumávamos brincar que o guarda-roupa dele era só camisas. Ele dizia que um homem que sabe o que precisa não precisa de muito mais.
Fiquei sentada ali com uma camisa na mão por um longo tempo. E então a ideia surgiu, clara e repentina, como algo que estava esperando que eu estivesse pronta para ela: se o papai não pudesse ir ao baile, eu poderia levá-lo.
Minha tia não achou que eu fosse louca, o que eu agradeci.
Costumávamos brincar que o guarda-roupa dele era composto apenas de camisas.
"Eu mal sei costurar, tia Hilda", eu disse.
"Eu sei. Vou te ensinar."
Naquele fim de semana, espalhamos as camisas do papai sobre a mesa da cozinha, com o antigo estojo de costura dela entre nós, e começamos a trabalhar. Demorou mais do que o esperado.
Cortei o tecido errado duas vezes e tive que desmanchar uma parte inteira tarde da noite e começar tudo de novo. Tia Hilda ficou ao meu lado e não disse uma palavra de desânimo. Ela apenas guiou minhas mãos e me disse quando diminuir o ritmo.
Minha tia ficou ao meu lado e não disse uma palavra de desencorajamento.
Algumas noites, eu chorava baixinho enquanto trabalhava. Outras noites, eu conversava com meu pai em voz alta.
Minha tia ou não ouviu ou decidiu não mencionar o assunto.
Cada pedaço que eu cortei carregava algo. A camisa que meu pai usou no meu primeiro dia de aula no ensino médio, parado na porta de casa, me dizendo que eu seria ótima, mesmo eu estando apavorada.
A verde desbotada da tarde em que ele correu ao lado da minha bicicleta por mais tempo do que seus joelhos aguentaram. A cinza que ele usava no dia em que me abraçou depois do pior dia do penúltimo ano do ensino médio, sem fazer uma única pergunta.
O vestido era um catálogo dele. Cada ponto.
Cada pedaço que eu cortei carregava algo.
Na noite anterior ao baile de formatura, eu terminei.
Coloquei-o e fiquei em frente ao espelho do corredor da minha tia, e por um longo momento, apenas me olhei.
Não era um vestido de estilista. Nem de longe. Mas era feito com todas as cores que meu pai já havia usado. Serviu perfeitamente e, por um instante, senti como se meu pai estivesse ali comigo.
Minha tia apareceu na porta. Ela simplesmente ficou parada ali, surpresa.
"Nicole, meu irmão teria adorado isso", disse ela, fungando. "Ele teria ficado completamente encantado... no bom sentido. É lindo, querida."
Foi costurado com todas as cores que meu pai já havia usado.
Alisei a parte da frente com as duas mãos.
Pela primeira vez desde que o hospital ligou, não senti que algo estivesse faltando. Senti como se meu pai estivesse ali, simplesmente integrado ao tecido, da mesma forma que sempre esteve integrado a tudo o que era comum na minha vida.
***