'Essas coisas são suas. Joguei o resto fora', disse ele.
Em seguida, ele jogou um envelope pardo em cima da sacola.
“Esses são os papéis do divórcio. Eu já os assinei. Eles contêm um acordo de partilha de bens. Todos os bens – esta cobertura, os carros, a empresa – tudo está em meu nome. Você entrou neste casamento sem nada. Você está saindo sem nada.”
Finalmente, lágrimas escaparam dos olhos de Zelica. Aquilo não era apenas uma humilhação. Era destruição total.
“Você… você não pode fazer isso.”
“Ah, com certeza posso. E eu já fiz isso.”
Ele olhou para ela com olhos tão frios quanto gelo.
Assine esses papéis. Se você se comportar bem e não reivindicar os bens em comum, talvez eu seja generoso o suficiente para lhe dar uma passagem de ônibus da Greyhound para sua viagem de volta à sua cidadezinha no Alabama.
Algumas pessoas no saguão começaram a cochichar. Zelica se sentiu nua ao ver isso.
— Vá embora — disse Quacy.
Mas esta também é a minha casa.
'Chega!', gritou ele. 'Segurança!'
Dois guardas se aproximaram. Pareciam desconfortáveis, mas era evidente que estavam do lado de Quacy, o dono da cobertura.
"Desculpe, senhora. Por favor, não cause um escândalo", disse um deles, segurando delicadamente o braço de Zelica.
Zelica foi arrastada violentamente para fora. Ela olhou para trás e encarou Quacy com desespero.
“Quacy, por favor.”
Ele apenas a olhou sem expressão, virou-se e caminhou até o elevador.
Lá em cima, perto da balaustrada do mezanino, Zelica podia ver a silhueta de Aniya, observando sua vitória.
A pesada porta de vidro do saguão se fechou com um sibilo atrás de Zelica, separando-a da vida dos últimos dez anos. Ela foi jogada na calçada movimentada sob o céu de Atlanta, que escurecia lentamente, com apenas uma mochila de ginástica cheia de roupas velhas e os papéis do divórcio que tanto a ofendiam.
A noite caiu rapidamente em Atlanta. Os postes de luz começaram a piscar, mas para Zelica, o mundo inteiro parecia escuro.