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Ela vivera sozinha por quinze anos. Então, sete cavaleiros apareceram na crista da montanha. O deserto não perdoa o silêncio; ele o devora por completo. Por quinze anos, a única voz que Kora Abernathy ouviu foi a sua própria, e na maioria dos dias ela nem se dava ao trabalho de falar. Não havia nada a dizer e ninguém com quem conversar. Apenas cem acres de terra dura no Arizona, uma cabana de madeira construída por seu pai, uma horta que lutava contra o sol todos os dias e uma nascente na montanha que mantinha tudo — por pouco — vivo. Ela crescera naquele vale. E depois que uma onda de febre atingiu o vale em uma estação cruel e levou seus pais, ela nunca mais saiu de lá. Seu pai a ensinara durante toda a infância a sobreviver sozinha: como rastrear animais no solo argiloso e rachado, como prever uma tempestade antes que ela começasse, como atirar com precisão quando o perigo ameaçava. A última lição que ele lhe ensinou foi a mais difícil: nunca confie em ninguém. As pessoas morrem. A terra permanece. Então ela aprendeu a viver em silêncio. Até a manhã,

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