Até que a formatura chegou. Recebi a notícia de que meu pai havia sofrido uma queda. A saúde dele já vinha se deteriorando, e minha mãe não conseguiria lidar com tudo sozinha. Arrumei minhas coisas e voltei para casa.
Sue, por sua vez, tinha acabado de conseguir um emprego em uma ONG — um trabalho com propósito, crescimento e tudo o que ela sempre quis. Eu jamais pediria que abrisse mão disso.
Convencemo-nos de que seria algo temporário. Mantivemos a relação com viagens nos fins de semana e cartas. Acreditávamos que o amor bastaria.
Mas, de repente, ela sumiu.
Não houve discussão, nem despedida. Apenas silêncio. Em uma semana, eu recebia cartas longas; na seguinte, nada.
Continuei escrevendo. Insisti. Na última carta, disse que a amava, que poderia esperar, que nada havia mudado dentro de mim.
Foi a última que enviei. Cheguei até a ligar para a casa dos pais dela, pedindo, nervoso, que entregassem minha mensagem.
O pai dela foi cordial, porém distante. Garantiu que faria isso. Eu confiei.
O tempo passou. Semanas viraram meses. Sem resposta, comecei a acreditar que ela havia feito sua escolha.
Talvez tivesse conhecido outra pessoa. Talvez tivesse seguido em frente. Como tantos fazem quando não há explicações, eu também segui.
Conheci Heather. Ela era o oposto de Sue: prática, estável, sem romantizar a vida. E, naquele momento, era exatamente do que eu precisava. Namoramos por alguns anos e nos casamos.
Construímos uma vida tranquila: dois filhos, um cachorro, contas, reuniões escolares, viagens em família — tudo dentro do esperado.
Não foi uma vida ruim. Apenas diferente.
Aos 42 anos, Heather e eu nos divorciamos. Não houve traição nem escândalo. Apenas percebemos que havíamos nos tornado mais parceiros de rotina do que um casal apaixonado.
Dividimos tudo com respeito e nos despedimos com um abraço no escritório do advogado. Jonah e Claire, nossos filhos, já entendiam a situação.
E cresceram bem.
Mesmo assim, Sue nunca saiu completamente da minha vida. Todo fim de ano, eu pensava nela.
Perguntava-me se estava feliz, se ainda lembrava do que prometemos quando éramos jovens demais para compreender a passagem do tempo.
Algumas noites, ficava olhando para o teto, ouvindo a risada dela na memória.
Até que, no ano passado, algo mudou.
Eu estava no sótão procurando enfeites de Natal quando alcancei um anuário antigo. Um envelope fino escorregou e caiu aos meus pés.
Estava amarelado, com as bordas gastas.