Meu nome completo estava escrito naquela caligrafia inclinada que eu reconheceria em qualquer lugar.
A letra dela.
Senti o ar faltar.
Sentei no chão, cercado por caixas e enfeites quebrados, e abri o envelope com as mãos tremendo.
Data: dezembro de 1991.
Ao ler as primeiras linhas, algo se rompeu dentro de mim.
Eu nunca tinha visto aquela carta.
Observei melhor o envelope. Ele já havia sido aberto e fechado novamente.
Meu peito se apertou.
Só havia uma possibilidade.
Heather.
Não sei quando ela encontrou a carta nem por que nunca mencionou. Talvez tenha achado que estava protegendo nosso casamento. Talvez não soubesse como contar. Não importa mais.
O envelope estava escondido dentro do anuário, guardado no fundo do sótão — um livro que eu jamais mexia.
Continuei lendo.
Sue contava que só havia descoberto minha última carta recentemente. Os pais dela a esconderam entre documentos antigos.
Disseram a ela que eu havia ligado pedindo que ela seguisse em frente. Que eu não queria mais contato.
Senti um enjoo imediato.
Ela escreveu que vinha sendo pressionada a se casar com um homem chamado Thomas, um conhecido da família, considerado estável e confiável. O tipo que agradava ao pai dela.
Ela não disse se o amava. Apenas que estava cansada, confusa e magoada por acreditar que eu a tinha abandonado.
Então veio a frase que nunca esqueci:
“Se você não responder, vou entender que escolheu outro caminho — e vou parar de esperar.”
O endereço dela estava no final da carta.
Fiquei ali por muito tempo. Era como reviver a dor da juventude, mas agora com a verdade em mãos.
Desci, sentei na cama, abri o laptop e digitei o nome dela no navegador.