Não esperava encontrar nada. Décadas haviam passado. Mas procurei.
E encontrei um perfil no Facebook. Outro sobrenome. Cliquei na foto. Meu coração acelerou.
Era ela. Mais velha, cabelos grisalhos, mas o mesmo olhar, o mesmo sorriso sereno. Ao lado dela, um homem da nossa idade. Nada indicava romance.
Ela estava viva. Real. A poucos cliques de distância.
Escrevi uma mensagem. Apaguei. Escrevi outra. Apaguei também.
Por impulso, cliquei em “Adicionar amigo”.
Menos de cinco minutos depois, o pedido foi aceito.
Logo veio a mensagem:
“Oi! Quanto tempo! O que te fez me procurar agora?”
Minhas mãos tremiam. Enviei uma mensagem de voz.
Contei tudo. Sobre a carta, sobre a espera, sobre as mentiras. Sobre nunca ter deixado de pensar nela.
Enviei outra mensagem, dizendo que também havia esperado.
Ela não respondeu naquela noite.
Mal dormi.
Na manhã seguinte, havia uma mensagem:
“Precisamos nos encontrar.”
Respondi imediatamente.
Marcamos um café, em um ponto intermediário entre nossas cidades.
Contei tudo aos meus filhos. Jonah achou romântico. Claire pediu cautela.
Viajei naquele sábado com o coração acelerado.
Cheguei cedo. Ela chegou alguns minutos depois.
E ali estava ela.
Nos abraçamos, primeiro com timidez, depois com familiaridade.
Conversamos por horas. Sobre a carta, sobre o passado, sobre os caminhos que a vida nos levou.
Ela me contou que se casou com Thomas, teve uma filha, depois se divorciou. Casou-se novamente, mas não durou.
Contei minha história também.