Jessica o levou consigo por um instante. Ele já volta. Quer que eu a ajude no caminho?
"Não, obrigada", eu disse, enquanto colocava o bolo na mesa.
Gordon inclinou-se para a frente para dar uma olhada. "Rosa? É um pouco... feminino, não acha?"
Perdi a paciência. "Essa é a favorita do Peter. Se você tivesse prestado atenção, saberia disso."
Gordon levanta as mãos. "Ah, se acalme. Por que você está tão chateado?"
Perdi a paciência. "Talvez porque você fica inventando desculpas para me manter longe do meu sobrinho! E agora está criticando a única coisa em que trabalhei tanto por ele? Cansei completamente!"

Antes que eu pudesse parar, peguei o bolo e o deixei cair no chão. A cobertura espirrou por todo o piso de parquet, uma bagunça caótica de rosa e branco.
Gordon parecia perplexo, com a boca aberta.
— O que está acontecendo? — A voz de Jessica ecoou pelo ar. Ela estava parada na porta com Peter ao seu lado. Ele se assustou quando seu olhar se deparou com o bolo destruído.
"Esse era o meu bolo de aniversário...", murmurou ele com a voz trêmula.
Lágrimas escorreram por seus olhos antes que ele se virasse e corresse para o quarto, seus passos curtos ressoando nos degraus. Meu coração se partiu em mil pedaços.

Jessica se virou para mim, com uma expressão facial que misturava raiva e incredulidade. "Macy, o que você fez?"
Engoli em seco, minhas mãos ainda tremiam. "Pergunte ao Gordon! Pergunte a ele por que eu não pude conhecer meu próprio sobrinho!"
Gordon bufou e cruzou os braços. "Jessica, você disse que ela estava ocupada, não disse?"
O rosto de Jessica empalideceu. Ela baixou a cabeça e evitou meu olhar. "Eu menti. Fui eu..."
Eu paralisei. "O quê?"
O lábio de Jessica tremia enquanto ela ofegava, com a respiração entrecortada. "Eu não suportava ver que Peter te amava mais do que a mim", admitiu ela com a voz trêmula.

"Eu sou a mãe dele. E mesmo assim ele sempre corre primeiro para você. Eu tinha ciúmes. Então, mantive distância dele."
Eu a encarei, sem palavras. "Jessica... não há prêmio a ser ganho."
Ela olhou para o bolo arruinado e murmurou: "Por sorte, não estraguei o aniversário dela."
Meus olhos se encheram de lágrimas quando me virei para limpar a bagunça. O bolo tinha sumido, mas o estrago já estava feito.
Mais tarde naquela noite, bati na porta de Peter, com o coração pesado e cheio de arrependimento. "Petey?"
Sua voz suave vinha de debaixo das cobertas, abafada, mas inconfundivelmente triste. "Vá."

Entrei com cautela; a luz fraca do seu abajur projetava sombras pelo quarto. Ele estava encolhido, o rosto afundado no travesseiro, os ombros magros tremendo levemente.
Vê-lo naquele estado partiu meu coração. Eu o magoei, mesmo sem ter sido minha intenção.
Sentei-me na beirada da cama dela e falei em voz baixa: "Sinto muito pelo bolo. Eu estava com raiva dos seus pais, mas não era certo mostrá-lo no seu aniversário. Você não merecia isso."
Peter bufou, sua voz quase inaudível. "Então... a culpa é da mamãe por eu não ter conseguido te ver?"
Hesitei e procurei as palavras certas.
