Meu sobrinho correu para os meus braços, sua risada encheu o ar, mas o calor do momento se dissipou quando vi o rosto tenso de Jessica. No dia seguinte, quando quis levar Peter ao aquário, ela estava parada na porta com uma expressão sombria. "Ele está doente", disse ela, mas eu sabia que era mentira.
Esperei do lado de fora da escola com minha irmã Jessica, que estava guardando o portão, pelo momento em que Peter — meu sobrinho querido e cheio de vida — sairia correndo. Eu sempre o chamava de Petey, um apelido que ele adorava.
Jessica e eu estávamos lado a lado, mas o silêncio entre nós era pesado, como se as palavras flutuassem no ar, sem serem ditas.
Ela cruzou os braços e transferiu o peso de um pé para o outro.
"A escola dela é incrível", disse Jessica, enquanto olhava para o prédio.
Há tantas possibilidades. Eles têm um clube de teatro, um clube de basquete, um clube de robótica – ele só ainda não decidiu em qual quer entrar.
Sorri e balancei a cabeça negativamente. "Ele realmente se decidiu. Quer fazer teatro. Está ensaiando um monólogo em casa."
Os olhos de Jessica percorreram o ambiente brevemente, de forma indecifrável, antes que ela forçasse um sorriso. "Sério? Eu não sabia disso."
Dou de ombros. "Sim, ele me mostrou isso no fim de semana passado. Ele está realmente muito absorto nisso. Está até memorizando falas de uma peça. Acho que ele se sairia muito bem."
Jessica deu uma risada meio forçada. "Bem, acho melhor prestar mais atenção."
Antes que eu pudesse responder, as portas da escola se abriram e Peter correu direto na minha direção.
'Tia Macy!', ele exclamou, enquanto me abraçava forte pela cintura com seus bracinhos.
Meu coração se encheu de alegria enquanto eu o abraçava de volta e passava os dedos pelos seus cabelos. "E aí, aniversariante! Como foi a escola?"
'Incrível! Aprendemos tantas coisas sobre polvos em zoologia! Sabia que eles podem mudar de cor quando estão assustados?' Os olhos dela brilharam de entusiasmo.
— Que legal, Petey! — Eu disse. — Temos que ir dar uma olhada no aquário neste fim de semana!
— Amanhã! — corrigiu-se ele, dando um pulo para a frente. — Podemos ir amanhã, tia Macy?
— Claro — respondi imediatamente com um sorriso. — Podemos fazer isso.
Jessica apertou o volante com mais força enquanto me olhava.
— Veremos — disse ela abruptamente, com um sorriso forçado. — Peter tem uma agenda lotada.
Peter franziu a testa, mas assentiu. "Está bem, mas eu realmente quero ir lá."
Estendi a mão e apertei a dele. "Não se preocupe, amigo. Encontraremos uma solução."
Jessica não disse nada, mas eu senti a tensão aumentar. Só não sabia porquê.
No dia seguinte, fui à casa de Jessica buscar Peter. O ar da manhã estava fresco, mas a opressão no meu peito dificultava a respiração.
Bati na porta, levantei-me e uma onda de entusiasmo tomou conta do meu estômago ao pensar em levar Peter ao aquário.
Jessica abriu a porta, com o rosto sombrio, sem o seu habitual sorriso caloroso. Algo estava errado.
— Ele está doente — disse ela suavemente.
Franzi a testa. "Doente? Ontem ele estava perfeitamente saudável."
Ela hesitou por um segundo a mais do que o necessário antes de concordar. "Ele está apenas cansado. Precisa descansar."
Olhei por cima do ombro dela para dentro da casa e tentei captar o mínimo vestígio da energia habitual de Peter. Só havia silêncio. Meu estômago se contraiu. "Vou procurá-lo."
Jessica deu um passo à frente rapidamente, ficando à minha frente, e colocou uma mão firme no meu braço.
"Macy... Gordon não gosta quando você viaja com ele. Ele acha que você está exagerando. Ele disse a Peter que ele não poderia ir junto."
Respirei fundo; uma mistura de confusão e raiva me invadiu. "Por que Gordon está tomando essa decisão? Não é justo com Peter."
Jessica suspirou e olhou por cima do ombro como se tivesse medo de que alguém pudesse nos ouvir. "Por favor, vamos deixar por isso mesmo por hoje. Não vamos piorar a situação."
Meus dedos se fecharam em punhos ao lado do meu corpo. "Jessica, você consegue me ouvir? Peter estava tão animado. Você não pode partir o coração dele assim."
Ela desviou o olhar, com os ombros tensos. "Não é tão simples assim. Só confie em mim, tá bom?"
Um nó se formou na minha garganta. Eu queria romper esse nó, chamar Peter pelo nome, ver com meus próprios olhos se ele estava realmente doente ou se era apenas mais uma desculpa.
Mas o cansaço em seus olhos me fez parar. Talvez ela estivesse passando por um momento difícil que eu não compreendia.
Frustrada, assenti com a cabeça. "Muito bem." Minha voz soou tensa e embargada. "Mas ainda não acabou."
Me virei e voltei para o carro, com a raiva fervilhando no meu peito. Agarrei-me ao volante, certa de uma coisa: algo estava errado, e eu não ia soltar.
As semanas passaram. As desculpas se acumularam. Peter estava "muito ocupado", "muito cansado" ou "não estava em casa" toda vez que eu tentava vê-lo. Mas hoje era o aniversário dele. Eu não deixaria isso me impedir.
Cheguei com uma caixa quadrada na mão, contendo o bolo que eu havia passado horas preparando: um bolo rosa perfeito com o porco do Minecraft, o personagem favorito do Peter. A cobertura estava impecável, os detalhes cuidadosamente aplicados, cada detalhe feito com carinho. Ele ia adorar.
Gordon abriu a porta; seu sorriso forçado me irritou. "Entre, Macy."
Cerrei os dentes, mas entrei mesmo assim. "Onde está Peter?"
Apenas para fins ilustrativos. | Fonte: Midjourney