A ligação chegou no meio da noite e eu soube imediatamente que algo estava errado. Mas nada poderia ter me preparado para o que eu descobriria ao chegar ao hospital.
Meu nome é Maren. Tenho 47 anos e um filho, Leo, de 19 anos. Ele é tudo para mim.
Em todos os momentos, sempre fomos só nós dois. Embora esteja se tornando um rapaz, Leo ainda me dá um beijo na bochecha antes de ir embora e diz, com sinceridade: "Te amo, mãe".
Mas aquela noite foi diferente.
Ele é meu mundo inteiro.
À 1h08 da manhã, a ligação de Leo me acordou. "O que houve?", perguntei.
"Nada, mãe... só fique acordada por mim, tá bom?"
Eu sorri, meio grogue. "Por quê?"
"Vou trazer alguém para casa."
"Ooh, uma menina?", provoquei.
"Não", disse ele rapidamente. Depois, mais baixo, acrescentou: "Mas ela é definitivamente alguém... muito especial. Quero que você a conheça o mais rápido possível."
Algo na maneira como ele falava fez meu peito se apertar.
"O que está errado?"
"Eu explico quando chegar lá. Confie em mim."
Concordei com relutância.
Essa foi a última coisa que ele disse.
***
Às 2h03 da manhã, recebi uma ligação do hospital enquanto preparava uma xícara de café para me ajudar a ficar acordado.
Disseram que houve uma colisão frontal na Rota 9.
***
Sinceramente, não me lembro do trajeto até o hospital, só das luzes piscando, do barulho e das minhas mãos tremendo no volante.
"Eu explico quando chegar lá."
Quando entrei correndo na recepção, me disseram que Leo estava na sala de cirurgia. Ele estava vivo, mas por um fio.
Estava ansiosa demais para ficar sentada na sala de espera. Estava andando de um lado para o outro quando um médico entrou para falar comigo.
"A passageira está em coma", disse o médico. "Ela não tem documento de identificação."
"Eu sei que ela não tem documento de identidade. Meu filho me contou", sussurrei.
Mas, no torpor em que me encontrava, esqueci-me de lhes dizer que não a conhecia.
Então, depois que o médico saiu, prometendo me manter informada sobre os dois pacientes, uma enfermeira me entregou um saco plástico.
"Os pertences da mulher."
Ele estava vivo, mas por um fio.
Dentro da bolsa havia óculos de sol, balas de menta e um pequeno medalhão de prata.
Minhas mãos começaram a tremer antes mesmo de eu abrir a caixa.