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Meu filho de 19 anos sofreu um terrível acidente de carro, mas o que realmente me chocou foi a mulher que estava no carro com ele.

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"Tudo o que ela tinha era aquele medalhão", continuou Leo. "Ela me contou que seus pais adotivos a deixaram em um orfanato quando ela era pequena. Sem documentos. Sem nomes. Só isso."

Senti meus olhos se encherem de lágrimas novamente. A culpa e a vergonha estavam me sufocando mais uma vez.

"Ela tem se mudado muito desde que teve idade suficiente para se virar sozinha, tentando descobrir quem ela é e de onde veio."

Olhei para as minhas mãos.

Todos esses anos…

E ela estava lá fora.

Olhando.

"Tudo o que ela tinha era aquele medalhão."

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Meu filho se virou para me encarar.

"Você deveria ir ver como ela está."

Eu paralisei.

"Acho que não consigo", admiti, com meu instinto de fuga se manifestando.

"Você pode e deve, mãe", disse ele com mais firmeza desta vez. "Ela merece saber. Esta pode ser a última vez que você conversa com ela. Não há garantia de que ela sairá do coma."

Não respondi imediatamente.

Porque ele estava certo.

E foi isso que tornou tudo mais difícil.

"Acho que não consigo."

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Levantei-me lentamente, com as pernas ainda instáveis.

"Vou... tentar", eu disse.

Uma parte de mim estava maravilhada com o magnífico jovem que eu havia criado, tão jovem, mas já tão sábio.

E mesmo enquanto as palavras saíam da minha boca, eu sabia que não havia mais como fugir disso.

***

O corredor em frente ao quarto de Elena estava silencioso.

Parei pouco antes da porta, com a mão pairando sobre a maçaneta.

Por um segundo, pensei em voltar atrás.

Uma parte de mim estava maravilhada.

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Pensei em fingir que nunca tinha aberto aquele medalhão.

Mas eu não consegui.

Não mais.

Então suspirei... e empurrei a porta.

O quarto estava pouco iluminado. As máquinas zumbiam suavemente. E lá estava ela.

Elena.

Ela parecia mais jovem do que eu esperava. Pálida. Imóvel. Seus cabelos estavam espalhados pelo travesseiro.

Eu fiquei ali parada, olhando para o rosto dela.

Havia algo nela que me parecia... familiar .

Como uma lembrança que nunca me permiti guardar.

Lá estava ela.

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Puxei a cadeira para mais perto e sentei-me ao lado da cama dela.

"Nem sei por onde começar", disse eu em voz baixa.

Olhei para ela novamente. Nenhum movimento.

Então continuei.

"Eu não sabia para onde você tinha sido levado", admiti. "Meus pais cuidaram de tudo. Eles me disseram que estava tudo resolvido, que você teria uma boa vida e que eu precisava seguir em frente."

Soltei um pequeno suspiro.

"Meus pais cuidaram de tudo."

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"Tentei fazer perguntas quando era um pouco mais velho, mas eles me interromperam todas as vezes. Eu nem sabia seu nome."

Mesmo assim, essa parte ainda me parecia uma desculpa.

"Tentei te procurar anos depois. Fiz ligações, consultei registros, mas não havia nada. Nenhum rastro. E então o tempo passou, e eu disse a mim mesmo... que você estava bem em algum lugar."

Meus olhos ardiam.

"Disse a mim mesma que aquilo era suficiente."

"Eu nem sequer sabia o seu nome."

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Inclinei-me para a frente.

"Me desculpe", eu disse. "Por tudo. Por não ter lutado mais e por não ter te encontrado."

As palavras fluíam com mais facilidade então.

"Nem sei se você vai querer me ver quando acordar. Mas estou aqui agora."

Estendi a mão, hesitando um pouco antes de tocá-la.

Então eu fiz.

Estava quente.

Real.

"Desta vez, não vou a lugar nenhum."

E por um instante... pensei que era o fim.

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