Um tubo fino de plástico preto estava preso entre o colchão e a estrutura de madeira.
Um cabo fino estava preso a ela, descendo pela estrutura da cama até o chão.
Por um instante, não entendi o que estava vendo.
Então eu percebi.
Não fazia parte da cama.
Era técnica.
Levantei o colchão um pouco mais.
O tubo estava conectado a um pequeno dispositivo de gravação colado sob a estrutura da cama.
Meu estômago encolheu.
Alguém o havia escondido ali.
"Mia", eu disse baixinho, "vamos para a sala de estar."
"Por que?"
"Apenas confie em mim."
Após alguns minutos, estávamos sentados no sofá enquanto eu ligava para a polícia.
Cerca de meia hora depois, dois policiais chegaram. Um deles retirou cuidadosamente o dispositivo debaixo da cama, enquanto o outro começou a fazer perguntas.
"Você conhece alguém que possa entrar na sua casa sem permissão?", perguntou o policial.
Balancei a cabeça negativamente.
"Não.
Mas Mia chamou baixinho do sofá.
"O técnico da TV a cabo esteve aqui semana passada."
Os dois policiais se viraram para ela.
"Que tipo de pessoa?"
"Ele disse que estava consertando a internet."
Meu sangue gelou.
Porque eu me lembrei daquela visita.
Um técnico de uma empresa de serviços veio verificar o roteador no quarto de Mia.
Ele estivera sozinho no andar de cima por quase vinte minutos.
O policial assentiu lentamente.
"Entraremos em contato com essa empresa imediatamente."
Mais tarde naquela noite, depois que Mia adormeceu ao meu lado no sofá, olhei para a foto do dispositivo tirada pela polícia.
A cama parecia "apertada" porque o equipamento escondido a pressionava por baixo.