Tentei desesperadamente encontrar uma explicação razoável.
Talvez a moldura estivesse danificada.
Talvez uma mola tenha quebrado.
Talvez o colchão novo tenha sido instalado incorretamente.
Mas nenhuma dessas ideias explicava o que aconteceu em seguida.
O cobertor subiu um pouco até as pernas de Mia.
Como se algo que estivesse por baixo tivesse sido empurrado para cima.
'Mia', eu disse em voz alta, já de pé.
Peguei meu roupão e corri pelo corredor até o quarto dela, enquanto continuava assistindo às gravações da câmera no meu celular.
A porta estava fechada.
O movimento interno parou.
Abri a porta devagar.
Mia ainda estava dormindo.
O colchão parecia completamente normal.
Mas algo estava errado.
Agachei-me ao lado da cama e levantei ligeiramente o cobertor para inspecionar a superfície do colchão. Nada de anormal. O tecido estava liso e uniforme.
Então me lembrei do ângulo da câmera.
Não estava apontado diretamente para a parte superior do colchão.
Foi direcionado para o lado.
Lentamente, meu olhar se voltou para a parte de baixo da estrutura da cama.
Então eu vi.
O colchão já não estava plano.
Um dos cantos havia se deslocado para cima.
Como se algo tivesse ficado preso entre o colchão e as ripas de madeira.
'Mia', sussurrei.
Ela se moveu ligeiramente.
'O que houve, mãe?'
Tentei manter a voz calma.
'Querida... alguém esteve no seu quarto esta noite?'
“Nee.”
Você ouviu alguma coisa?
Ela balançou a cabeça, sonolenta.
Deslizei a mão por baixo da borda do colchão.
E toquei em algo que definitivamente não fazia parte da cama.
No instante em que meus dedos tocaram o objeto sob o colchão, uma onda de frio percorreu meu corpo. A forma parecia longa e rígida, como plástico ou metal. Rapidamente retirei a mão e me levantei.
'Mia', eu disse suavemente, 'venha sentar-se comigo um instante.'
Ela esfregou os olhos e levantou-se da cama.
"O que é?"
Ainda não tenho certeza.
Deslizei o colchão ligeiramente para longe da parede e levantei cuidadosamente um canto.
O que vi por baixo fez meu coração afundar.
Um tubo estreito de plástico preto foi fixado entre o colchão e a estrutura de madeira.
Um cabo fino estava preso a ela e percorria a lateral da cama até o chão.
Por um instante, não entendi o que estava vendo.
Então a ficha caiu.
Não combinava com a cama.
Era um equipamento.
Levantei o colchão.
O tubo estava conectado a um pequeno dispositivo de gravação que estava fixado com fita adesiva sob a estrutura da cama.
Meu estômago embrulhou.
Alguém o havia escondido ali.
'Mia', eu disse baixinho, 'vamos para a sala de estar'.
"Por que?"
Apenas confie em mim.
Em poucos minutos, estávamos sentados no sofá enquanto eu ligava para a polícia.
Cerca de trinta minutos depois, dois policiais chegaram. Um deles retirou cuidadosamente o dispositivo debaixo da cama, enquanto o outro começou a fazer perguntas.
'Você conhece alguém que possa entrar na sua casa sem permissão?', perguntou o policial.
Balancei a cabeça negativamente.
“Nee.”
Mas Mia falou baixinho do sofá.
“O técnico da TV a cabo esteve aqui na semana passada.”
Os dois policiais se viraram para encará-la.
“Qual instalador de cabos?”
Ele disse que estava consertando a internet.
O sangue congelou nas minhas veias.
Porque eu ainda me lembrava daquela visita.