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O bilionário não deixou gorjeta, mas a mãe solteira e garçonete encontrou um bilhete secreto debaixo do prato dele.

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Seis meses se passaram desde a noite no Píer 59. O "Rei do Gelo" não era mais um monólito solitário; Ethan Sterling havia se tornado uma dupla com Sarah Miller ao seu lado. Mas no mundo da logística de alta tecnologia, um vácuo de poder nunca permanece vazio por muito tempo.

Enquanto Leo prosperava — suas bochechas estavam rosadas e seu hálito fresco —, a nova vida de Sarah era um inferno de outro tipo. Ela estava sentada na sala de reuniões da Sterling Global, a única que não usava um relógio de 5 mil dólares. Do outro lado da mesa, estava Julian Vane, o primo mais novo e imprevisível da desonrada Veronica.

"O projeto de automação é um desperdício de capital, Ethan", disse Julian, tocando em um tablet. "Estamos perdendo três por cento em cada entrega por drone na região de Neo-Seattle. É uma falha na IA. Precisamos descartar o software."

Ethan olhou para Sarah. Ele não perguntou ao diretor de tecnologia. Ele não perguntou aos analistas. Ele perguntou à mulher que certa vez notou uma casca de limão faltando. "Sarah?"

Sarah não olhou para a tela. Ela olhou para as mãos de Julian. Ele batucava na mesa de mogno com um ritmo nervoso.  Mesa 14,  pensou ela.  As mãos sempre entregam.

"Não é uma falha, Ethan", disse Sarah, com a voz clara apesar do jargão técnico. "O software não está com defeito; está sendo redirecionado. Os drones não estão caindo; estão 'descansando' por doze minutos em um armazém em Tacoma que não está conectado à nossa rede."

Julian parou de digitar. "Isso é impossível. Tacoma é uma zona morta."

— Dei uma volta de carro ontem à noite — continuou Sarah, deslizando uma pasta pela mesa. — Eu entregava pizzas em Tacoma para pagar os inaladores do Leo. Conheço as estradas secundárias. Aquele armazém está registrado em nome de uma empresa de fachada chamada "Vance-Legacy". Sua prima pode não estar mais por perto, Julian, mas você ainda usa as chaves dela.

O ambiente ficou gélido. Ethan se levantou, sua sombra pairando ameaçadoramente sobre o primo. "Arrume sua mesa, Julian. Senão, vou chamar a SEC em vez de só a segurança."

CAPÍTULO 7: O ESPÍRITO DE LJARDRAN

Apesar de seu novo título como Chefe de Operações, Sarah ainda sentia o peso de uma bandeja sobre os ombros. Numa terça-feira à noite, Ethan a levou de volta à entrada da Ljardan.

— Por que estamos aqui? — perguntou ela, apertando instintivamente sua bolsa de grife com mais força.

— Para pagar uma dívida — respondeu Ethan, com os olhos brilhando com um calor travesso e raro.

Eles entraram. O aroma do óleo de trufa a atingiu como um soco no estômago. O Sr. Henderson, o gerente, correu em sua direção; seu sorriso forçado se alargou ao ver Ethan, mas desapareceu ao reconhecer a mulher com o terno de seda antracite.

"Sr. Sterling! E... Sarah?"

— Esse é  o Diretor Miller  , Henderson — disse Ethan friamente.

Eles estavam sentados à mesa 14. Jessica, a garçonete com o batom vermelho vivo, aproximou-se deles com as mãos trêmulas. Desta vez, ela não parecia desdenhosa. Parecia apavorada.

'Eu... eu serei sua garçonete esta noite', gaguejou Jessica.

Sarah olhou para ela – não com ódio, mas com uma empatia cansada. 'O Coq au Vin, Jessica. E, por favor, diga ao chef que o molho precisa apurar por mais cinco minutos. Ele vai entender o porquê.'

Conforme a refeição prosseguia, Sarah percebeu que Ethan não tinha vindo pela comida. Ele estendeu a mão por cima da mesa e seus dedos tocaram os dela. "Você ainda está procurando as rachaduras na fundação, não é? Mesmo aqui."

"Não consigo desligar, Ethan", admitiu ela. "Vejo o mundo em detalhes. Vejo Henderson saqueando a adega e vejo Jessica prestes a ser despejada porque seu carro está quebrado."

Ethan inclinou a cabeça. "E o que você vê quando olha para mim?"

Vejo um homem que pensa ser feito de gelo, mas na realidade apenas tem medo do calor.

CAPÍTULO 8: O HERDEIRO E O ARQUITETO

A noite não terminou com um zero, mas com uma transformação. Quando saíram, Sarah parou rapidamente no balcão de atendimento. Ela não deixou um bilhete debaixo de um prato. Deu um cartão de visitas para Jessica.

"Venha para a Sterling Estate na segunda-feira", disse Sarah. "Estamos inaugurando nossa própria creche para a equipe de logística. Preciso de alguém que saiba lidar bem com situações estressantes. O salário é três vezes maior do que o que você ganha aqui."

Jessica caiu em prantos – as mesmas lágrimas quentes e ardentes que Sarah havia reprimido meses atrás.

Enquanto Ethan e Sarah caminhavam até o carro, um sedã preto parou, bloqueando o caminho. O vidro baixou e Veronica Vance apareceu. Ela parecia exausta, seu status havia sido tirado dela, mas seus olhos eram venenosos.

— Você acha que venceu, Sarah? — sibilou Verônica. — Você é apenas a mais recente obsessão dele. Assim que você parar de encontrar as "cascas de limão" dele, ele vai te descartar como um guardanapo sujo.

Ethan parou em frente a Sarah, mas Sarah colocou a mão no peito dele. Ela deu um passo à frente e olhou Veronica diretamente nos olhos.

Ele não me contratou para ser uma obsessão, Verônica. Ele me contratou porque eu sei sobreviver. Você nasceu na linha de chegada, então não sabe correr. Eu corro a vida inteira. E ainda não estou cansada.

Verônica fez um sinal para o motorista ir embora.

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