Na manhã do meu casamento, minha madrasta rasgou meu vestido. Pensei que usar o vestido da minha falecida mãe salvaria o dia. Mas durante a cerimônia, algo escondido no forro caiu no chão da igreja — e no momento em que meu pai leu em voz alta, minha madrasta percebeu que minha mãe a havia espancado anos atrás.
Meu nome é Callie. Minha mãe faleceu há três anos e, desde então, nunca mais me senti em casa.
Eu tinha 28 anos, estava me casando por amor, e mesmo assim a manhã do meu casamento pareceu mais um teste do que uma celebração.
A casa agora cheirava a canela, o cheiro da Brenda, não o da minha mãe. Naquela manhã, acordei desejando a lavanda e o café da minha infância, mas em vez disso, canela e nervosismo preenchiam o ar.
A manhã do meu casamento pareceu mais um teste do que uma celebração.
Mamãe tinha partido há três anos, e papai se casou novamente um ano depois. Brenda era bem mais nova que ele, e embora se fizesse de doce nas visitas, eu já tinha visto a aspereza que se escondia por trás daquela fachada.
Lá embaixo, ouvi a voz de Brenda vinda da cozinha. "Joe, você tem certeza de que Callie quer mesmo fazer isso? Parece precipitado, não acha?"
Meu pai resmungou. "É o dia dela, Bren. Deixa ela em paz."
Rowan, meu noivo, ligou enquanto eu escovava o cabelo, sua voz como uma tábua de salvação. "Você já está acordada e pronta, Cal?"
"É o dia dela, Bren. Deixe-a em paz."
"Estou tentando ser", eu disse, fingindo calma.
"Não deixe a Brenda te influenciar, querida. Ela vai tentar. Ignore-a."
"Ela não está na minha cabeça", menti, espiando pelo corredor enquanto Brenda ria alto demais de algo que papai disse.
Ele deu uma risadinha. "Tem certeza? Em todo jantar em família, ela está falando da casa ou da empresa. Semana passada, ela me perguntou o que aconteceria com a padaria um dia — a quem ela pertenceria."
Eu gemi. "Se eu ouvir ela mencionar a padaria da minha mãe de novo, eu me mudo."
"Não deixe a Brenda te influenciar, querida."
Minutos depois, desci as escadas discretamente, com a minha mala de vestido na mão.
Brenda estava fatiando uma toranja com a precisão de um cirurgião.
"Grande dia", ela exclamou, olhando para meu anel de noivado. "Nervosa?"
"Estou animada", eu disse, enquanto servia o café.
Ela me observou, com os olhos frios. "Homens como Rowan... bem, Callie. Eles se casam por conforto. Você sabe disso, não é?"
Ela vinha fazendo perguntas ao pai há meses — sobre as contas da padaria, os títulos de propriedade, até mesmo sobre a casa.
"Nervoso?"
Papai entrou na sala, com o telefone no ouvido. "Callie, onde está o mapa de assentos? A florista precisa fazer a contagem final dos arranjos de mesa."
Eu entreguei. "Aqui. E relaxa, pai."
Ele beijou minha bochecha, sem diminuir o passo. "Você vai ficar deslumbrante, Cal. Mamãe vai ficar orgulhosa."
O jeito como Brenda resmungou me incomodou, mas mantive a expressão séria.
A mensagem de Rowan chegou: " Estarei no altar. Não fuja."
"Mamãe ficará orgulhosa."