Minha acompanhante pediu um jantar de lagosta de 150 dólares no nosso primeiro encontro e depois se recusou a pagar – momentos depois, o karma a atingiu bem na minha frente.
Dei de ombros, sentindo meus nervos se agitarem. "O mérito é seu. Você que escolheu."
Ela riu, entrelaçando seu braço no meu enquanto a anfitriã se aproximava. "É verdade. Eu tenho um talento especial para lugares agradáveis."
"Ei, Chloe. Você encontrou o lugar, tudo bem?"
Seguimos a anfitriã, que serpenteava entre as mesas, enquanto os saltos de Chloe tilintavam com segurança. Em nossa mesa, ela sentou-se primeiro, observando tudo ao redor como se estivesse memorizando cada detalhe.
"Lugar bacana, né? Eles têm lagosta! Eu adoro lagosta. Espero que você não seja alérgico, Evan", ela brincou.
"Não tenho alergias", respondi. "Mas confesso que fico um pouco ansiosa com relação ao cardápio."
Ela sorriu. "Confie em mim, você vai adorar aqui."
Uma garçonete apareceu. Maya, dizia seu crachá. Ela nos entregou os cardápios. Chloe mal olhou para o dela.
"Eu sei o que quero", disse Chloe. "Quero lagosta. Com molho de manteiga, por favor. E uma porção extra à parte."
"Eles têm lagosta! Eu adoro lagosta."
Maya assentiu com a cabeça, anotando a mensagem. "Excelente escolha. E o senhor?"
"Hum, o salmão, por favor", eu disse. "E a água está ótima."
Chloe recostou-se, cruzando as mãos. "Então, este é o seu primeiro encontro do Tinder?"
"Não é a minha primeira vez, mas faz tempo que não vou", admiti. "E você?"
Ela deu de ombros. "Alguns. Mas a maioria dos caras é muito nervosa. Ou muito pão-dura." Ela sorriu de canto. "Mas você parece relaxado. Eu gosto disso."
Eu ri nervosamente. "Estou me esforçando ao máximo. Estava praticando conversa fiada mais cedo."
"A maioria dos caras é muito nervosa. Ou muito pão-dura."
Ela ergueu uma sobrancelha. "É mesmo? Então me impressione."
"Ok... consigo tocar meu nariz com a língua."
Chloe caiu na gargalhada. "Isso é terrível, Evan."
"Talvez, mas pelo menos quebrou o gelo."
Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo. "Tudo bem, você ganhou pontos pelo esforço."
Assim que nossas bebidas chegaram, ela pegou o celular. "Espero que não se importem. Estou documentando minha jornada gastronômica."
"É isso mesmo? Então me impressione."
"Vai em frente. Meu prato nunca esteve tão apetitoso."
Ela tirou uma foto, depois uma nossa. "Sorria. Meus amigos vão exigir provas de que você existe."
Eu sorri. "Diga a eles que sobrevivi à primeira rodada."
Chloe piscou. "Ah, ainda é cedo."
Brindamos, a sala estava cheia de vida, a conversa fluía como se já tivéssemos feito isso centenas de vezes.
Por um instante, pensei que talvez a tivesse julgado mal. Talvez Chloe fosse apenas ousada, e não arrogante.
"Meus amigos vão exigir provas de que você existe."
Terminamos de comer e eu já estava quase relaxado quando Maya recolheu os pratos.
Então a conta chegou e foi colocada no meio da mesa. Chloe não estendeu a mão para pegá-la.
Olhei para ela, depois para a conta. Só a lagosta dela custava 150 dólares. Somando o vinho, a sobremesa e os acompanhamentos, a parte dela representava bem mais da metade.
Peguei meu cartão. "Certo. Vamos dividir como combinamos, certo?"
Chloe recostou-se, sorrindo como se estivesse por dentro de uma piada que eu não tinha entendido. "Não vou pagar."
Eu fiquei olhando, meio que esperando que ela risse. "O quê?"
Só a lagosta dela custou 150 dólares.
Ela deu de ombros. "Você é o homem. Homens pagam, não é? É assim que sempre fiz."
Senti minhas orelhas esquentarem. "Mas... você concordou em se separar."
Ela pegou o celular e começou a navegar distraidamente. "É... mas eu não achei que você fosse falar sério. Homens nunca falam."
Um breve silêncio se estendeu entre nós.
Algo antigo e familiar despertou em mim, memórias de me sentir insignificante, como se meus sentimentos não importassem, como se eu pudesse me desculpar por esperar justiça.
"Você é o cara. Homens pagam, não é?"
Mas mantive a voz firme, me esforçando para não recuar.
"Eu falei sério", disse baixinho.
Chloe revirou os olhos, com um meio sorriso nos lábios. "Você vai mesmo se envergonhar durante o jantar, Evan? Na frente de todas essas pessoas?"
"Por que eu deveria me envergonhar por querer aquilo que havíamos combinado?"
Ela deu uma risadinha leve, quase de pena. "Nossa, você é teimoso."
Chloe revirou os olhos.
Larguei o garfo. "Combinamos de dividir."
Ela olhou para além de mim, como se procurasse uma saída, mas não encontrou nenhuma.
"Bem... talvez eu tenha mudado de ideia."
Maya aproximou-se novamente, com uma pilha de pratos equilibrada em uma das mãos. Ela parecia pressentir a tensão crescente.
"Está tudo bem por aqui?"
Chloe esboçou um sorriso rápido. "Está tudo bem. Foi apenas um pequeno mal-entendido sobre a conta."
"Está tudo bem por aqui?"
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