Minha acompanhante pediu um jantar de lagosta de 150 dólares no nosso primeiro encontro e depois se recusou a pagar – momentos depois, o karma a atingiu bem na minha frente.
Encarei o olhar de Maya. "Nós combinamos de dividir a conta. Agora ela está dizendo que não vai."
Chloe bufou, virando-se para Maya. "Sinceramente, ele está fazendo tempestade em copo d'água. Homens pagam por encontros. É assim que funciona."
Maya fez uma pausa, olhando para Chloe por mais um instante. "Na verdade, acho que me lembro de você. Você não estava aqui há duas semanas? Mesma mesa, cara diferente?"
Chloe enrijeceu. "O quê? Não. Não fui eu." Sua voz baixou.
"Mesma mesa, cliente diferente?"
Mas Maya nem pestanejou. "Você pediu a lagosta, certo? E tivemos uma conversa bem parecida sobre a conta. Naquela noite, seu acompanhante pagou a metade dele e foi embora. Você não."
Ficou um silêncio à nossa volta. Eu conseguia sentir as pessoas a ouvir, a observar.
Observei a bravata de Chloe vacilar. "Talvez você esteja enganada."
Maya balançou a cabeça. "Não. Eu me lembro de rostos." Ela fez uma pausa e acrescentou: "Só um instante. Vou chamar meu gerente."
Chloe endireitou-se. "Não é necessário."
"Talvez você esteja enganado."
O tom de voz de Maya permaneceu calmo. "É sim. E temos imagens de câmeras para provar."
Um homem de camisa preta aproximou-se um instante depois. "Boa noite", disse ele, lançando um olhar entre nós.
Maya falou baixinho. "Ela já esteve aqui antes. Mesma situação."
O gerente assentiu com a cabeça e olhou para Chloe. "Senhora, precisamos que a senhora pague sua parte hoje à noite. E também há um saldo pendente da sua visita anterior."
O rosto de Chloe empalideceu. "Isso é ridículo."
Ele não reagiu. "Você pode contestar, se quiser, mas isso precisa ser resolvido antes de você ir embora."
"Ela já esteve aqui antes."
Um alívio me invadiu. "Gostaria de pagar individualmente, por favor. E gostaria de deixar uma gorjeta para você, Maya."
Chloe soltou uma risada contida. "Você está mesmo fazendo isso agora?"
Ninguém lhe respondeu.
A voz de Maya era suave, mas firme. "Só quero garantir que todos sejam tratados com justiça. Já volto com os cheques."
Chloe começou a vasculhar a bolsa. "Você podia ter coberto, Evan. Sério, isso está muito constrangedor agora."
Balancei a cabeça negativamente. "Não é o dinheiro, Chloe. É a mentira."
Ela ficou em silêncio, encarando o celular como se quisesse desaparecer.
"Vocês não precisavam fazer disso um escândalo. Nenhum de vocês."
Quando Maya voltou, passei meu cartão para ela. Chloe me entregou o dela, com o maxilar tenso.
"Sinto muito", disse Maya, sem maldade. "Mas esse cartão foi recusado."
O gerente permaneceu ao lado dela. "Você precisará providenciar outra forma de pagamento."
O rosto de Chloe empalideceu. Ela procurou outra moeda, murmurando: "É só uma coisa de banco."
Suas mãos tremiam enquanto ela tentava novamente. Desta vez funcionou, mas o estrago já estava feito.
Ela agarrou a bolsa, agora hesitante, com a confiança completamente esvaída. Não olhou para mim enquanto tentava usar outro cartão.
"Esse cartão foi recusado."
Eu a observei e, em seguida, cruzei o olhar com o de Maya.
Ela acenou com a cabeça discretamente, um gesto pequeno e sincero de gentileza que eu nem sabia que precisava. "Não deixe isso te desanimar de namorar, tá bom?"
Eu sorri. "Obrigada. Por tudo."
Então o gerente falou: "Olha, senhora. Se a senhora não puder pagar a conta, pode trabalhar como nossa lavadora de pratos pelas próximas duas semanas. Mas esteja avisada: essas suas unhas bonitas vão ficar arruinadas."
Chloe deu um suspiro de espanto.
***
Lá fora, o ar estava frio e as luzes da cidade cintilavam no asfalto molhado. Em vez de ir direto para casa, me vi indo em direção ao apartamento de Erin. Ela atendeu ao segundo toque.
"Não deixe que isso te impeça de namorar, tá bom?"
"Ei, você está ocupado?", perguntei.
"Você parece estranho. O encontro foi tão ruim assim?"
"Nada mal. Só... uma história. Posso subir?"