Tricotei uma manta com os suéteres da minha falecida mãe para o meu irmãozinho – minha madrasta jogou no lixo, mas depois minha avó a fez se arrepender.
As palavras pareciam facas.
Meu pai estava sentado na sala de estar e conseguia ouvir tudo claramente, mas não disse nada.
As lágrimas embaçaram minha visão.
Peguei o cobertor e saí correndo de casa, já chamando um táxi.
"Como você pôde jogar isso fora?"
A vovó abriu a porta quando eu bati.
No momento em que viu meu rosto, ela franziu a testa. "O que aconteceu?"
Levantei o cobertor e desabei em lágrimas. Entre soluços, contei tudo a ela.
Quando terminei, a expressão da vovó havia mudado completamente.
Seu olhar endureceu. "Pegue seus sapatos", disse ela.
Eu funguei. "Por quê?"
Ela pegou as chaves do carro. "Porque isso acaba hoje à noite."
"O que aconteceu?"
Hesitei. "Como?"
A avó olhou para mim.
"Não se preocupe", disse ela com firmeza. "É algo que eu deveria ter feito quando Melissa entrou na vida do seu pai."
Voltamos para casa de carro com o cobertor nos meus braços.
Quando entramos, Melissa ergueu os olhos do sofá.
"Ah", disse ela com um sorriso falso. "Você voltou."
A avó a ignorou.
"Ligue para o seu marido", disse ela bruscamente. "Precisamos conversar."
Um instante depois, papai entrou na sala de estar.
"Não se preocupe."
A avó desdobrou a manta e a segurou.
"A lã usada para este cobertor veio dos suéteres da minha falecida nora", disse ela. "O filho dela merece algo que pertenceu à mãe."
Melissa cruzou os braços. "Estou tentando criar o Andrew sem ficar lembrando-o constantemente de alguém que não está mais aqui."
A voz da avó ficou ríspida. "Você não tem o direito de apagar a mãe dele da memória."
Melissa zombou. "Nossa. Estou sendo atacada por tentar me encaixar."
"Estou tentando criar o Andrew."
Papai finalmente falou. "Mãe, você não pode falar assim com a Melissa na nossa casa."
"Ah, com certeza posso", disse a avó, rindo amargamente.
Ela enfiou a mão na bolsa e tirou um documento dobrado. "Esta casa está legalmente em meu nome. Eu quitei a hipoteca quando sua esposa ficou doente."
O rosto de Melissa empalideceu.
Papai parecia constrangido.
A avó dobrou o cobertor novamente e me devolveu. "Lembre-se do seu lugar", disse ela para Melissa.
Então ela saiu.
"Esta casa está legalmente em meu nome."
Naquele momento, acreditei que o problema estava resolvido.